nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio próprio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado próximas
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu me tenha fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando subtilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
e.e.cummings
Domingo, Julho 12, 2009
Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um...
Alceu Amoroso Lima
Alceu Amoroso Lima
Sábado, Julho 11, 2009
Acho que é a isto que o VPV chama «o triunfo do trash»
Li no Público que a jornalista (não fixei o nome), autora do blog a pipoca mais doce, é a «mulher mais invejada de Portugal». Parece que ganhou um concurso de votação dos telespectadores da Sic Mulher. Até aqui, a minha curiosidade estava quase no zero.
Depois li que:
Autora do blog "A Pipoca Mais Doce" é a vencedora da "Eleição da Mulher Mais Invejada de Portugal", uma iniciativa Red Q by Delta Q. É a mulher que mais inspira os portugueses através da sua forma de pensar e escrever.
Fiquei curioso com a última frase.
Ainda mais porque o blog dela tem mais visitas diárias do que o Abrupto (um dos blogs nacionais mais visto).
Fui lá e deparei-me com isto:
Quinta-feira, Julho 09, 2009
Onze e meia da noite. Estou com o portátil na mesa da sala, a escrever textos atrás de textos. Ele está no sofá, com o comando da Playstation. A fazer o quê? A mudar os nomes dos jogadores do PES. Compenetradíssimo, nem fala. Parece-me justo.
Ohhhhhhhhh! O "Pipoca Mais Doce-the book" foi à praia, amoroso. E onde é que ele foi à praia? À Fonte da Telha? Não. À praia da Rocha? Não. A Carcavelos? Não. Foi mesmo a Cabo Verde. Infelizmente, não fui eu que o levei até lá, mas sim a Alexandra Palma, uma leitora daquelas que até dá gosto. Espero que lhe tenhas posto protector e braçadeiras, que isto é um livro sensível.
Depois li que:
Autora do blog "A Pipoca Mais Doce" é a vencedora da "Eleição da Mulher Mais Invejada de Portugal", uma iniciativa Red Q by Delta Q. É a mulher que mais inspira os portugueses através da sua forma de pensar e escrever.
Fiquei curioso com a última frase.
Ainda mais porque o blog dela tem mais visitas diárias do que o Abrupto (um dos blogs nacionais mais visto).
Fui lá e deparei-me com isto:
Quinta-feira, Julho 09, 2009
Onze e meia da noite. Estou com o portátil na mesa da sala, a escrever textos atrás de textos. Ele está no sofá, com o comando da Playstation. A fazer o quê? A mudar os nomes dos jogadores do PES. Compenetradíssimo, nem fala. Parece-me justo.
Ohhhhhhhhh! O "Pipoca Mais Doce-the book" foi à praia, amoroso. E onde é que ele foi à praia? À Fonte da Telha? Não. À praia da Rocha? Não. A Carcavelos? Não. Foi mesmo a Cabo Verde. Infelizmente, não fui eu que o levei até lá, mas sim a Alexandra Palma, uma leitora daquelas que até dá gosto. Espero que lhe tenhas posto protector e braçadeiras, que isto é um livro sensível.
Fala-se muito da pobreza e pouco da miséria. A miséria é o maior medo do pobre. A miséria é o despojamento da própria dignidade. Um estado democrático não pode ter miséria.
Muito se falou do gesto de Manuel Pinho. Muito se censurou (António Barreto revelou que gosta de dar pontapés em cães mortos) e parodiou com o sucedido. Da minha parte, nem um átomo de humor acrescentarei, nem fiz forward de qualquer graçola. Ele foi demitido (ou demitiu-se). Saiu. E a punição foi maior do que o crime.
Os políticos fazem promessas que não cumprem, insultam-se pessoalmente, um deputado do PSD já interpelou outros para irem lá foram resolver o assunto (ainda em 2009). O João Jardim já fez duas mil coisas bem piores, como por exemplo dizer que não queria chineses e indianos na sua ilha.
Porque é que o gesto teve tão tremendo impacto?
Porque vivemos na era da imagem. E na sociedade hodierna uma imagem é mais demolidora do que qualquer arrazoado de argumentos.
Os políticos fazem promessas que não cumprem, insultam-se pessoalmente, um deputado do PSD já interpelou outros para irem lá foram resolver o assunto (ainda em 2009). O João Jardim já fez duas mil coisas bem piores, como por exemplo dizer que não queria chineses e indianos na sua ilha.
Porque é que o gesto teve tão tremendo impacto?
Porque vivemos na era da imagem. E na sociedade hodierna uma imagem é mais demolidora do que qualquer arrazoado de argumentos.
A partir de certa idade, os mulherengos adoptam o comportamento das mulheres. Foi o que aprenderam. Fazem-se difíceis; tornam-se encantadores; cultivam mistérios.
Miguel Esteves Cardoso
Miguel Esteves Cardoso
Hemingway dizia que só podia escrever sobre o que se conhecia. Ele pescava, caçava, era aficionado de touradas, de boxe, de restaurantes e bebida e os universos da pesca da caça, das touradas, do boxe, de restaurantes, bebida. Viajava muito pelo mundo e escrevia sobre os locais onde ia. Esteve na guerra civil de Espanha. e escreveu sobre ela.
Lobo Antunes pensa exactamente o contrário. Acha que a literatura que se cinja a uma época e um espaço tem um valor perecível. Escreveu O meu nome é legião sem nunca ter ido a um bairro social. Imaginou tudo de fora. Do outro lado do tapume que cobre o bairro. Investigar para ele é jornalismo. A literatura, para ele, é uma coisa maior.
Lobo Antunes pensa exactamente o contrário. Acha que a literatura que se cinja a uma época e um espaço tem um valor perecível. Escreveu O meu nome é legião sem nunca ter ido a um bairro social. Imaginou tudo de fora. Do outro lado do tapume que cobre o bairro. Investigar para ele é jornalismo. A literatura, para ele, é uma coisa maior.
A cidade e as serras
- Angel, devias estar aqui. Isto é uma maravilha. Alguém precisa de fazer uma sopa e o vizinho dá logo a couve, alguém quer um fruto, basta apanhar do chão.
Peter Singer explica que os laços de solidariedade rural são muito mais fundos porque no campo, ao contrário da urbe, as pessoas convivem entre si com um horizonte temporal muito mais dilatado. Isto é: alguém que esteja na aldeia e a quem vão bater à porta a pedir ovos e recuse, sabe que da aldeia nunca mais receberá nada. Na cidade, há mais gente, as pessoas mudam de sítio e alguém pode morrer ao nosso lado que não estremeceremos.
Peter Singer explica que os laços de solidariedade rural são muito mais fundos porque no campo, ao contrário da urbe, as pessoas convivem entre si com um horizonte temporal muito mais dilatado. Isto é: alguém que esteja na aldeia e a quem vão bater à porta a pedir ovos e recuse, sabe que da aldeia nunca mais receberá nada. Na cidade, há mais gente, as pessoas mudam de sítio e alguém pode morrer ao nosso lado que não estremeceremos.
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
Livros são papéis pintados com tinta.
Assim escreveu Pessoa.
Anos antes, Walt Whitman já escrevera interpelando o leitor que deixasse os livros e as bibliotecas de lado e partisse como ele (pelo poema) em busca da Natureza e da beleza do mundo. Whitman ilude-nos da forma mais bela: lemos o livro pedindo-no que larguemos os livros e nós acreditamos que o seguimos no seu caminho pela fauna e flora, pelos mundos do mundo, não nos apercebendo que tudo isso acontece dentro da leitura.
O poder da Literatura é tão extraordinário que usufruímos de uma frase «O sol doira sem literatura» como se estivéssemos fora dela. Mas é dentro dela que sentimos esse prazer, essa libertação dela. É paradoxal, mas é um prodígio de subtileza.
Angel
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
Livros são papéis pintados com tinta.
Assim escreveu Pessoa.
Anos antes, Walt Whitman já escrevera interpelando o leitor que deixasse os livros e as bibliotecas de lado e partisse como ele (pelo poema) em busca da Natureza e da beleza do mundo. Whitman ilude-nos da forma mais bela: lemos o livro pedindo-no que larguemos os livros e nós acreditamos que o seguimos no seu caminho pela fauna e flora, pelos mundos do mundo, não nos apercebendo que tudo isso acontece dentro da leitura.
O poder da Literatura é tão extraordinário que usufruímos de uma frase «O sol doira sem literatura» como se estivéssemos fora dela. Mas é dentro dela que sentimos esse prazer, essa libertação dela. É paradoxal, mas é um prodígio de subtileza.
Angel
Quando vejo uma pessoa ao espelho, ela parece-me diferente da forma como a vejo através dos meus olhos. O espelho empalidece, distorce um pouco, de espelho para espelho as cores do rosto são diferentes. Nenhum espelho é cem por cento limpo e cristalino.
Já pensaste que nunca te viste? Só te viste em espelhos ou fotografias ou filmagens. Tu nunca viste, nem verás o teu rosto.
Já pensaste que nunca te viste? Só te viste em espelhos ou fotografias ou filmagens. Tu nunca viste, nem verás o teu rosto.
Sabe porque é que não gosto do tempo em que vivo? É porque há tanto trash! Em proporção, é uma particularidade deste tempo. Numa parede de Pompeia estava escrito «Caius deu aqui uma grande foda.» Há sempre gajos para fazer isso. Há umas coisas permanentes. Aquilo de que eu não gosto na sociedade de hoje é que as paredes estão cheias disso. Hoje, você liga a televisão e só vê: vamos dar, já demos e variações sobre isso. O que me chateia é isso: o estreitamento do espírito. Eu acho graça que o Caius tenha dado uma grande foda em Pompeia mas acho graça porque isso prova a literacia daquela gente. Mas quanto à foda propriamente dita não estou muito interessado. O que há-de um gajo pensar sobre isso? O A pôs-se no B, o Y anda com z. Isso está demasiado presente. Nas telenovelas, nas canções, nos livros. Em toda a parte. A dimensão histórica das pessoas perdeu-se.
Vasco Pulido Valente, entrevista à Ler
Vasco Pulido Valente, entrevista à Ler
Entre todos os seres da Terra, só o Homem é livre - Kant sugeriu que a liberdade é o divino em nós -, e, assim, responsável e moral, só ele tem a capacidade de razão abstracta, de autoposse, só ele se sabe sujeito de obrigações para lá das instâncias meramente instintivas, só ele pode sorrir, só ele é animal simbólico e simbolizante, só ele é capaz de amor de doação, o animal também sabe, mas só o Homem sabe que sabe, só ele é capaz de autoconsciência, de linguagem duplamente articulada, de sentido do passado e do futuro, de promessas, de criação e contemplação da beleza, de descida à sua intimidade e subjectividade pessoal, só ele sabe que é mortal e gasta tempo com os mortos e espera para lá da morte, só ele pergunta e fá-lo ilimitadamente, só ele cria instituições jurídicas e compõe música, só ele tem de confrontar-se com a questão da transcendência e do Infinito...
Recentemente, os jornais faziam-se eco da preocupação das autoridades inglesas porque uma percentagem elevada de jovens (10%) se queixa do vazio existencial, sentindo a vida como insignificante e não valendo a pena. Investigadores sociais e psiquiatras não têm dúvidas de que o vazio e a frustração existencial são uma das causas maiores dos desequilíbrios do Homem contemporâneo. Não faltam investigações científicas que mostram que a carência de sentido está frequentemente na base da dependência da droga, do alcoolismo, da criminalidade, do suicídio. Outras investigações chegam à mesma conclusão pela positiva: há, por exemplo, conexão entre a prática de uma religião e o sentimento de felicidade e uma vida mais longa. Entre as razões para essa ligação está precisamente o facto de a dimensão espiritual ajudar a fixar um sentido para a existência: quem vive e vê a sua vida integrada numa totalidade com sentido e sentido último resiste mais e melhor também em termos físicos e mentais.
Anselmo Borges
Recentemente, os jornais faziam-se eco da preocupação das autoridades inglesas porque uma percentagem elevada de jovens (10%) se queixa do vazio existencial, sentindo a vida como insignificante e não valendo a pena. Investigadores sociais e psiquiatras não têm dúvidas de que o vazio e a frustração existencial são uma das causas maiores dos desequilíbrios do Homem contemporâneo. Não faltam investigações científicas que mostram que a carência de sentido está frequentemente na base da dependência da droga, do alcoolismo, da criminalidade, do suicídio. Outras investigações chegam à mesma conclusão pela positiva: há, por exemplo, conexão entre a prática de uma religião e o sentimento de felicidade e uma vida mais longa. Entre as razões para essa ligação está precisamente o facto de a dimensão espiritual ajudar a fixar um sentido para a existência: quem vive e vê a sua vida integrada numa totalidade com sentido e sentido último resiste mais e melhor também em termos físicos e mentais.
Anselmo Borges
- Eu pensei que eras um energúmeno, talvez por seres grande. Foi só quando ouvi a tua voz que percebi que eras uma pessoa completamente diferente.
- A violência é um substituto do sexo.
- Não achas que a violência é uma resposta a uma camuflamento da falta de amor?
- Não, dizes isso porque o sexo não é um aspecto central na tua vida.
- Não achas que a violência é uma resposta a uma camuflamento da falta de amor?
- Não, dizes isso porque o sexo não é um aspecto central na tua vida.
Sexta-feira, Julho 10, 2009
http://www.youtube.com/watch?v=k5rPR3vTL3I
- I followed you from the beach.
- You followed me from the beach? Why?
- Because you´re the one.
- I followed you from the beach.
- You followed me from the beach? Why?
- Because you´re the one.
Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão
e eu me perdesse nela
a paixão grega
Herberto Helder
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão
e eu me perdesse nela
a paixão grega
Herberto Helder
Quinta-feira, Julho 09, 2009
É uma pessoa tão romântica que só o desprendimento a permitia sobreviver sem se sufocar de amor. «Fecharei as 1001 portas por ti, quero-me-te entregar.»
Vasco Pulido Valente diz que reler os livros que o impressionaram quando era novo lhe trouxe grandes dissabores. Hemnigway, Steinbeck e Caldwell parecem-lhe agora «frágeis». Quem o apaixonava e «me continua a parecer nada frágil» é Scott Fitzgerald. Fiquei feliz por partilharmos esta admiração pelo mesmo escritor (no meu caso, fascínio será a palavra).
A simplificação, o empobrecimento da linguagem, é indissociável do surgimento das novas tecnologias como a Internet e o telemóvel. Vi um mural que tinha escrito:
Amt Mário
Custaria muito acrescentar o «o», o hífen e o «e»?
Amt Mário
Custaria muito acrescentar o «o», o hífen e o «e»?
- A esquerda diz que a criminalidade se resolve toda através das chamadas condições sociais, mas eu ainda estou para ver um estudo que demonstre que, ninguém toda, mas que grande parte da criminalidade vem da pobreza e da exclusão social. Mas mesmo que assim fosse, até que a pobreza e a exclusão social acabem - o que me parece um cenário longínquo - qual é a política de segurança no curto e médio prazo? Se todas as condições sociais fossem ideais, ainda assim a criminalidade persistia, porque sistema algum consegue remover a perversidade e o egoísmo.
Quarta-feira, Julho 08, 2009
- Angel, o seu livro, especialmente aquele final, aquilo não foi escrito por si. Claro que eu sei que foi você que o escreveu, mas há ali outras coisas que nem você sabe o que são. Preste atenção... Aquilo é... Eu tenho relido e hei-de reler mais vezes.
Terça-feira, Julho 07, 2009
Para o hinduísmo e o budismo, o que somos é também fruto de sombras de vidas passadas. Se, por exemplo, desde pequenos, gostamos de tocar piano é porque outrora este objecto esteve numa vida passada muito ligado a nós. Terá havido um momento, um ponto da existência em que éramos todos iguais, todos tábua rasa e que, a partir daí, cada um trilhou a sua alma...?
O Círculo
Ele estava de pé.
O outro disse-lhe:
- Deixa-te estar assim imóvel. Não te mexas, deixa-me fazer uma coisa.
- Então?
- Espera só um minuto. Fica quieto.
- Mas o que é?
- Espera, já vais perceber.
E, com um pedaço de giz, traçou um círculo em volta do outro.
- Não vais conseguir sair do círculo.
O outro tentou e não conseguia.
- Não vais conseguir.
- O quê? Que disparate.
- Não vais.
O outro ficou com medo.
- Apaga-me isto!
Insistiu:
- Apaga-me isto já!
O outro apagou uma porção do círculo e ele saiu por aí.
O outro disse-lhe:
- Deixa-te estar assim imóvel. Não te mexas, deixa-me fazer uma coisa.
- Então?
- Espera só um minuto. Fica quieto.
- Mas o que é?
- Espera, já vais perceber.
E, com um pedaço de giz, traçou um círculo em volta do outro.
- Não vais conseguir sair do círculo.
O outro tentou e não conseguia.
- Não vais conseguir.
- O quê? Que disparate.
- Não vais.
O outro ficou com medo.
- Apaga-me isto!
Insistiu:
- Apaga-me isto já!
O outro apagou uma porção do círculo e ele saiu por aí.
«Um homem renunciará a todos os prazeres que quiserem mas nunca abdicará do seu sofrimento.»
Gurdjieff
Gurdjieff
Para escreveres, tens de ser um observador - de ti (observa bem o teu interior) e do mundo que te rodeia.
André pediu um beijo a Matilde e foi negado.
Pedro pediu um beijo a Diana e 1000 vezes foi negado.
Quando André e Pedro beijarem Matilde e Diana, qual deles ficará mais satisfeito?
Pedro pediu um beijo a Diana e 1000 vezes foi negado.
Quando André e Pedro beijarem Matilde e Diana, qual deles ficará mais satisfeito?
Ele fez-se meu amigo para passar férias perto da casa da pessoa que amava. Onde outros viram interesseirismo, eu vi romantismo.
Amizade, it´s always better when we´re together
Há uma semana:
- Tu vais voltar cedo de Angola.
- Achas? Curtia tar lá pelo menos um ano.
Hoje:
«Estou de volta. Liga quando estiveres acordado.»
- Tu vais voltar cedo de Angola.
- Achas? Curtia tar lá pelo menos um ano.
Hoje:
«Estou de volta. Liga quando estiveres acordado.»
É quando a chuva cai, é quando
olhado devagar que brilha o corpo.
Para dizê-lo a boca é muito pouco,
era preciso que também as mãos
vissem esse brilho, dele fizessem
não só a música, mas a casa.
Todas as palavras falam desse lume,
sabem à pele dessa luz molhada.
Eugénio de Andrade
olhado devagar que brilha o corpo.
Para dizê-lo a boca é muito pouco,
era preciso que também as mãos
vissem esse brilho, dele fizessem
não só a música, mas a casa.
Todas as palavras falam desse lume,
sabem à pele dessa luz molhada.
Eugénio de Andrade
Segunda-feira, Julho 06, 2009
«Farrah Fawcett aceitou fazer um documentário sobre a sua luta contra o cancro. No fim desse filme, com a câmara na mão, volta-se para nós e pergunta: "and you, what are you fighting for?". É o instante mais belo de toda a sua carreira cinematográfica; mirrada pela doença, com o corpo e a famosa cabeleira destruídos pela quimioterapia, transformada apenas em sorriso e força pura; Farrah Fawcett interpela-nos: o que nos move? Qual é a nossa luta? O que fazemos com os nossos dias?»
Inês Pedrosa
Inês Pedrosa
Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver
"Lisboa"
Sophia de Mello Breyner Andresen
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver
"Lisboa"
Sophia de Mello Breyner Andresen
Domingo, Julho 05, 2009
Agora, as gotas de chuva que caem sobre a piscina, espaçadas e imprevisíveis, parecem-me a imagem que melhor descreve aquilo que existe dentro de mim e, no entanto, sei que se me sentasse a imaginar uma imagem concreta para este sentimento, nunca me lembraria desta visão simples, aqui, à minha frente: gotas de chuva a caírem sobre a piscina.
José Luís Peixoto
José Luís Peixoto
Será que há algo que é inato em nós (ou que migrou de impressões de vidas passadas), algo que temos escrito e que apenas nos limitamos a ler? Aos três anos, ele torturava animais. Aos três anos, ela já via documentários da Natureza. Pelos pais isso não lhes foi incutido. De onde veio?
Sábado, Julho 04, 2009
- Nós não temos entendimento para isto, imaginação sequer. Porquê tudo isto? Porquê o céu, a terra, a vida, a morte, o mar, o macho, a fêmea, a reprodução, a infinidade de vidas animais, o sortido imenso da flora, o dia, a noite, a complexidade das vísceras, do cérebro, esta máquina toda da existência só num pontinho onde há outro 800 milhões de galáxias com milhões de outros planetas cada com um sem-número de mundos e de vidas - se é que vidas lhe podemos chamar - porquê tudo isto e porquê tudo isto assim? O acordar, o deitar. Só entender as relações humanas, puuuuuuuu! E isto é um microponto de algo tão maior e sucessivamente maior que nem temos estrutura para abarcar, mas é que nem um relance de uma pequena porção disto tudo... E o infinitamente superior também existe em sentido descendente. Podes dissecar um grão de areia e ir descendo, descendo, descendo, átomos, sub-átomos e assim continuares sendo sempre possível continuar a partir em mais diminutas e minúsculas partículas.
- Quando tu tens uma namorada ou um namorado, há uma série de pontos que tu tens que partilhas com a tua companheira ou companheiro, mas há sempre alguns que ficam de fora. Esses outros fazem parte de ti e se tu não os desenvolves com outras pessoas, estás a anular uma parte de ti, a diminuir-te. A mim faz-me confusão. Não só gosto não de me diminuir, como estou numa fase de me querer expandir.
Sexta-feira, Julho 03, 2009
O problema central da análise marxista: se a teoria da mais-valia nos diz que todos os trabalhadores são explorados, o que acontece numa empresa com prejuízos?
Outra questão: uma trabalhador como o Cristiano Ronaldo é conceptualmente explorado? Sim, ok. Mas então como convencê-lo a preferir não ser explorado conceptualmente mas ganhando apenas cento e cinquenta contos por mês?
Outra questão: uma trabalhador como o Cristiano Ronaldo é conceptualmente explorado? Sim, ok. Mas então como convencê-lo a preferir não ser explorado conceptualmente mas ganhando apenas cento e cinquenta contos por mês?
Vago, boiando, louco
Quando me encapsulo no meu mundo, do contacto com o real nascem-se tantas tontarias. Hoje, ao passar por um polícia, enquanto recordava um sonho, sorri-lhe largamente. Olhava-o mas não o olhava, trespassava-o com o olhar fito no sonho. E ele assustou-se e deu um pulinho para trás.
Sou contra a censura. Há coisas que abomino na televisão hodierna e que não via há quinze anos, por exemplo. E há coisas que pela sua profundidade, como o programa conversas vadias, que nunca mais voltei a encontrar na televisão.
Outro dia, vi o cinco para a meia-noite e fiquei chocado por fazerem sete ou oito piadas sobre a morte do Michael Jackson. Acho que se fosse familiar ou fã dele que ficaria revoltado. O disco Bad agora chamar-se-ia Dead, «não sei se é uma boa ou má notícia a morte do MJ» [MAS O QUE É ISTO?], com tantas plásticas nem há caixão que lhe valha. Ainda neste programa, vi brincarem com o cancro no pâncreas de António Feio. Num outro programa que passa vídeos cómicos, qualquer coisa como «isto só vídeo», passaram alguém que ia morrendo sufocado. Mas como se alimenta uma perversão destas que é rir-mo-nos de alguém a morrer?
É uma degradação da liberdade de expressão.
Outro dia, vi o cinco para a meia-noite e fiquei chocado por fazerem sete ou oito piadas sobre a morte do Michael Jackson. Acho que se fosse familiar ou fã dele que ficaria revoltado. O disco Bad agora chamar-se-ia Dead, «não sei se é uma boa ou má notícia a morte do MJ» [MAS O QUE É ISTO?], com tantas plásticas nem há caixão que lhe valha. Ainda neste programa, vi brincarem com o cancro no pâncreas de António Feio. Num outro programa que passa vídeos cómicos, qualquer coisa como «isto só vídeo», passaram alguém que ia morrendo sufocado. Mas como se alimenta uma perversão destas que é rir-mo-nos de alguém a morrer?
É uma degradação da liberdade de expressão.
É quase consensual que há uma crise de valores. As pessoas já não acreditam nos políticos. Os partidos parece que já nem apresentam soluções. Falta imaginação. A realidade é que num mundo globalizado, a partir do momento em que as políticas são feitas de forma global, há menos espaço para a imaginação.
A minha proposta: a defesa dos direitos humanos. Quais? Basta pegar na carta de 1948. Se conseguirmos garantir tudo o que nela está escrito, nada mais é preciso. Todos os homens têm de ter a base: casa, cuidados de saúde, alimentação, vestuário. Não é difícil garantir o mínimo a todos. E a liberdade de opinião, de clube de futebol, de credo, de orientação sexual, não custa nada. A carta de 1948, eis os valores a que nos devemos agarrar e erigir como uma referência global.
E, claro está, os direitos humanos não são tudo, porque não englobam os seres sencientes, isto é todos os seres capazes de experienciar prazer e todos (não são todos os animais). A ciência já sabe que alguns garantidamente sentem (um porco e um cavalo sentem sofrimento psicológico e não apenas físico). Os que garantidamente não sentem, podem ser excluídos da lista. Os que ainda não se sabe que sentem, terão de ter o benefício da dúvida e verem-lhe ser reconhecidos direitos.
(em 3000, veremos se não tenho razão)
A minha proposta: a defesa dos direitos humanos. Quais? Basta pegar na carta de 1948. Se conseguirmos garantir tudo o que nela está escrito, nada mais é preciso. Todos os homens têm de ter a base: casa, cuidados de saúde, alimentação, vestuário. Não é difícil garantir o mínimo a todos. E a liberdade de opinião, de clube de futebol, de credo, de orientação sexual, não custa nada. A carta de 1948, eis os valores a que nos devemos agarrar e erigir como uma referência global.
E, claro está, os direitos humanos não são tudo, porque não englobam os seres sencientes, isto é todos os seres capazes de experienciar prazer e todos (não são todos os animais). A ciência já sabe que alguns garantidamente sentem (um porco e um cavalo sentem sofrimento psicológico e não apenas físico). Os que garantidamente não sentem, podem ser excluídos da lista. Os que ainda não se sabe que sentem, terão de ter o benefício da dúvida e verem-lhe ser reconhecidos direitos.
(em 3000, veremos se não tenho razão)
- A sua avó é uma pessoa que já está do outro lado do espelho, já deu o pulo. É raro no Ocidente haver pessoas assim. Que têm uma afabilidade natural, que querem o Bem de todos. Ela já está garantida...
- Não há nada mais retemperador, mais libertador de todos os problemas, ocultos e manifestos, nada que nos devolva mais a alegria e o amor pela vida e pelos outros, do que olhar para o sorriso de Buda.
- A grande questão é sabermos o que fazemos aqui. O grande mistério é a criação. Eu não gosto da palavra Deus, mas acho difícil isto tudo ter surgido incriado. Porra, isto tudo! Caramba. Falem-me do Big Bang e eu perguntarei logo: mas e o que é que dei origem ao Big Bang? Um tipo olha lá para cima e pensa: esta imensidão lá em cima, isto tudo não tem um sentido? E porquê isto tudo? Acaso? Acaso é o nome que damos ao que não conseguimos explicar. E porquê isto tudo e não nada? E porquê sequer a possibilidade de se poder conceber isto tudo ou nada? Às vezes, perguntam-me se acredito na vida depois da morte? Eu não acredito nem deixo de acreditar. Não tem é lógica isto desaguar em nada. Tanta experiência, tanta aprendizagem, tanta luta... Não porra, não faz sentido! Os hindus dizem que renascemos, e que andamos cá até atingirmos o nirvana, a plenitude, e que subimos e descemos degraus no caminho espiritual até atingirmos esse estádio em que dispensamos voltar a um corpo. Ok, mas assim: e isso para quê? Qual a finalidade? Qual o propósito?
Velho Ancião
Velho Ancião
Quando estiveres menos centrad@ nos teus problemas, quando relaxares mais em relação à pergunta quando-é-que-resolvo-os-meus-problemas, estes dissolver-se-ão naturalmente...
Um sedutor a explicar a sedução é como o ilusionista a desvendar os seus segredos: retirar a magia à magia é um crime.
Agostinho da Silva afirma que ser-se religioso é tão somente crer-se em algo de que não se tem prova. Um ateu é assim religioso, explica. Porque acredita que Deus não existe sem poder apresentar uma prova matemática da sua crença. Ser ateu implica ter fé.
Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.
Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.
Paul Eluárd
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.
Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.
Paul Eluárd
Morte em Veneza
Quando li o livro (uma obra-prima deliciosa de Thomas Mann) da história do homem de meia-idade que fica loucamente encantado com a beleza em estado puro que é um miúdo de 14 anos (Tadzio), não tive imaginação suficiente para conceber tal rosto (alguém me disse que só conseguimos imaginar rostos que já vimos um dia). Como será esse rosto na tela? Seguramente que irá matar o livro qualquer que seja a cara escolhida.
Visconte encarregou-se de me demonstrar que estava errado.
Fiquei abismado com o Tadzio do filme. Olhar para a beleza andrógina de Tadzio no ecrã mexeu comigo.
Visconte encarregou-se de me demonstrar que estava errado.
Fiquei abismado com o Tadzio do filme. Olhar para a beleza andrógina de Tadzio no ecrã mexeu comigo.
Quinta-feira, Julho 02, 2009
É um péssimo patrão. Assedia-tudo-o-que-é-mulher-mandando-as-embora-quando-não-lhe-dão-o-que-quer, é capaz de gastar um balúrdio num software mas esmifrar o parco salário dos seus trabalhadores até ao limite, é ultra-manipulador, rebaixa o ego das pessoas para fazer sentir que são uma merda e que se não fosse ele elas estariam debaixo da ponte, não trabalha uma vírgula e erige os seus lucros sob o suor alheio, grita e humilha pessoas quando algo lhe corre mal na vida. Contudo, quando ia a andar de táxi, no final, deixou uma generosa gorjeta de cinco euros. Contudo, quando estava num lançamento de um livro, viu um segurança de pé e disse:
- Coitado, está aqui tantas horas de pé.
E comprou um livro e ofereceu-lhe.
Ninguém é absolutamente bom ou mau. Ninguém é absolutamente coerente.
- Coitado, está aqui tantas horas de pé.
E comprou um livro e ofereceu-lhe.
Ninguém é absolutamente bom ou mau. Ninguém é absolutamente coerente.
Anedotas by Miguel Pinto
O BATMAN ENTRA NA SUA BAT-MANSÃO, VAI ATÉ AO SEU BAT-ELEVADOR, E DESCE ATÉ À SUA BAT-CAV. QUANDO ELE CHEGA LÁ, COMO É QUE ELE ACENDE AS LUZES?
BAT-PALMAS.
DE SEGUIDA, ABRE O SEU BAT-ARMÁRIO E VESTE O SEU BAT-BLAZER. PARA ONDE VAI ELE?
PARA UM BAT-ZADO.
ENTRA PARA O SEU BATMOBILE E FAZ-SE À ESTRADA. CHEGA, ESTACIONA E SAI DO CARRO. PORQUE É QUE ELE SE DÁ AO TRABALHO DE FECHAR O CARRO COM O ALARME?
TEM MEDO QUE O ROBIN.
BAT-PALMAS.
DE SEGUIDA, ABRE O SEU BAT-ARMÁRIO E VESTE O SEU BAT-BLAZER. PARA ONDE VAI ELE?
PARA UM BAT-ZADO.
ENTRA PARA O SEU BATMOBILE E FAZ-SE À ESTRADA. CHEGA, ESTACIONA E SAI DO CARRO. PORQUE É QUE ELE SE DÁ AO TRABALHO DE FECHAR O CARRO COM O ALARME?
TEM MEDO QUE O ROBIN.
«Mas a palavra hebraica timshel — «tu podes» — é o que nos dá o poder da escolha. Deve ser a palavra mais importante do mundo. Que nos assegura que o caminho está totalmente aberto. Que devolve ao homem o essencial, que o recentra como elemento fundamental da vida, das escolhas, da acção, do presente e do futuro.»
John Steinbeck, A Leste do Paraíso
John Steinbeck, A Leste do Paraíso
Apesar de a luminosidade
outrora tão brilhante
Estar agora para sempre afastada do meu olhar,
Ainda que nada possa devolver o momento
Do esplendor na relva,
da glória na flor,
Não nos lamentaremos, inspirados
no que fica para trás;
Na empatia primordial
que tendo sido sempre será;
Nos suaves pensamentos que nascem
do sofrimento humano;
Na fé que supera a morte,
Nos tempos que anunciam o espírito filosófico.
William Wordsworth
outrora tão brilhante
Estar agora para sempre afastada do meu olhar,
Ainda que nada possa devolver o momento
Do esplendor na relva,
da glória na flor,
Não nos lamentaremos, inspirados
no que fica para trás;
Na empatia primordial
que tendo sido sempre será;
Nos suaves pensamentos que nascem
do sofrimento humano;
Na fé que supera a morte,
Nos tempos que anunciam o espírito filosófico.
William Wordsworth
Quarta-feira, Julho 01, 2009
:)
Uma mãe a falar-me do filho:
- Ele é um... só me apetece comê-lo de tanto que gosto dele. E nunca me farto dele por mais cansada que esteja.
- Ele é um... só me apetece comê-lo de tanto que gosto dele. E nunca me farto dele por mais cansada que esteja.
A tasca aconselha
Uma ilha desabitada na Escócia, 1939, pré segunda Guerra; uma pequena expedição enviada pelo governo britânico; dois amigos cientistas - dois homens: Robert (Hugo Bettencourt) e John (Frederico Barata), uma mulher: Ellen (Cleia Almeida), uma fatalidade. É neste cenário lúdico e paradisíaco que vemos surgir uma história de mistério, paixão, amor e de ciúme em que a tensão sexual vai crescendo entre os três jovens e um ardente triângulo amoroso vai desencadear um conflito que vai abalar as profundas convicções de cada um. Será a missão realmente tão simples? O que fica por detrás do que foi realmente falado? O que se pode imaginar que explode das pulsões humanas nessas circunstâncias?
Tudo isso pode conhecer em “Ilhas Distantes”, montagem de “
Outlying Island”, de David Greig. A estreia, em 2002, aconteceu no Traverse Theatre, em Edimburgo, Escócia. Desde então tem percorrido o mundo, com sucesso. David Greig fundou o Theatre Group Suspect Culture, escreveu peças para o Traverse Theatre, para o festival de Edimburgo, para a Royal Shakespeare Company e para os Teatros Nacionais Escocês e Inglês, criando peças poéticas e populares - o que já o credencia como dramaturgo de importância.
“Ilhas Distantes é selvagem, estranho, fascinante e profundamente inquietante” – The Guardian --, é uma das importantes críticas que vem recebendo desde então.
Função
De 3 a 25 de Julho na Comuna, Teatro de Pesquisa – Sala Novas Tendências.
Sextas e Sábados às 21h30
Comuna, Teatro de Pesquisa
Praça de Espanha | Lisboa
Reservas e Info:
GSM +351 961 271 291 | +351 912 320 165 | E-Mail: ilhasdistantes@gmail.com
Classificação Etária: M/16 anos.
Bilhetes: de 10€ (preço normal) e 8€ (estudantes e profissionais do espectáculo).
Fotografias da Estreia:
http://picasaweb.google.pt/ilhasdistantes/EstreiaFotosDeTaniaAraujo?feat=directlink
http://picasaweb.google.pt/ilhasdistantes/EstreiaFotosDeCarlosMuralhas?feat=directlink
FICHA TÉCNICA:
Encenação: João Craveiro | Tradução: Hugo Bettencourt
Elenco: Cleia Almeida, Frederico Barata, Hugo Bettencourt, Paulo B.
Desenho de Luz: Hugo Moita Claro | Musica Original: João Craveiro
Desenho de Som: Tiago Inuit | Design - Cartaz: Pedro M. Leitão
Design – Produção: Som&Design | Fotografia: MEF
Produção, Acessoria de Imprensa & Promoção: Transilvânia Produções
Informações e Contacto: Transilvânia Produções
Rita Lima | GSM - +351 963 661 601 |
ritalima@transilvaniaproducoes.com | www.ilhasdistantes.blogspot.com
Tudo isso pode conhecer em “Ilhas Distantes”, montagem de “
Outlying Island”, de David Greig. A estreia, em 2002, aconteceu no Traverse Theatre, em Edimburgo, Escócia. Desde então tem percorrido o mundo, com sucesso. David Greig fundou o Theatre Group Suspect Culture, escreveu peças para o Traverse Theatre, para o festival de Edimburgo, para a Royal Shakespeare Company e para os Teatros Nacionais Escocês e Inglês, criando peças poéticas e populares - o que já o credencia como dramaturgo de importância.
“Ilhas Distantes é selvagem, estranho, fascinante e profundamente inquietante” – The Guardian --, é uma das importantes críticas que vem recebendo desde então.
Função
De 3 a 25 de Julho na Comuna, Teatro de Pesquisa – Sala Novas Tendências.
Sextas e Sábados às 21h30
Comuna, Teatro de Pesquisa
Praça de Espanha | Lisboa
Reservas e Info:
GSM +351 961 271 291 | +351 912 320 165 | E-Mail: ilhasdistantes@gmail.com
Classificação Etária: M/16 anos.
Bilhetes: de 10€ (preço normal) e 8€ (estudantes e profissionais do espectáculo).
Fotografias da Estreia:
http://picasaweb.google.pt/ilhasdistantes/EstreiaFotosDeTaniaAraujo?feat=directlink
http://picasaweb.google.pt/ilhasdistantes/EstreiaFotosDeCarlosMuralhas?feat=directlink
FICHA TÉCNICA:
Encenação: João Craveiro | Tradução: Hugo Bettencourt
Elenco: Cleia Almeida, Frederico Barata, Hugo Bettencourt, Paulo B.
Desenho de Luz: Hugo Moita Claro | Musica Original: João Craveiro
Desenho de Som: Tiago Inuit | Design - Cartaz: Pedro M. Leitão
Design – Produção: Som&Design | Fotografia: MEF
Produção, Acessoria de Imprensa & Promoção: Transilvânia Produções
Informações e Contacto: Transilvânia Produções
Rita Lima | GSM - +351 963 661 601 |
ritalima@transilvaniaproducoes.com | www.ilhasdistantes.blogspot.com
- A questão do plágio é muito complexa, porque muitas vezes o podemos fazer de forma inadvertida e o plágio aparece sempre como algo que não é sério. E muitas vezes não é o caso. Há coisas que lemos e que verbalizam algo que já estava cá dentro mas não que não tínhamos explanado por conceitos. É espantoso quando as coisas entram, quando penetram a carapaça e deslizam para dentro de nós como se cá estivessem sempre estado. Elas encaixam-se a nós e parece que são nossas.
Para escrever é preciso:
a) viver para ter o que escrever;
b) ler para saber como escrever.
Para viver, sinto que me falta desde há muito conhecer uma prisão. Conhecer? Que digo? Saber o que é uma prisão. Que vida vive lá dentro?
a) viver para ter o que escrever;
b) ler para saber como escrever.
Para viver, sinto que me falta desde há muito conhecer uma prisão. Conhecer? Que digo? Saber o que é uma prisão. Que vida vive lá dentro?
Ele dava-se melhor com raparigas do que com rapazes. Ele tinha uma cor de pele mais branca. Ele tinha óculos e gozavam com ele por ser o «caixa-de-óculos». Ele era um excelente alunos e os colegas sublimavam a inveja inventando que ele «não tinha vida social» e - o mais estúpido dos anátemas - que era «maricas». Era humilhado nos balneários. Uma coisa aprecio nele: por mais que gozassem com ele, nunca deixou de jogar vólei. Era o único rapaz que jogava vólei. Todos os outros jogavam futebol. Outro rapaz que se juntava a ele no vólei era este que hoje escreve estas linhas (e como fico contente por saber que fiz o terceiro período inteiro a jogar vólei). O mais absurdo é que provavelmente ele nem era homossexual, tinha apenas uma sensibilidade interior muito mais rica do que os boçais, rudes e machizóides colegas. Uma sensibilidade talhada a filigrana.
Invoco-o agora que me surge na memória. Encontrei-o há meses. Chorou. Ainda hoje carrega feridas que não fecharam. Ainda hoje acorda de noite sobressaltado com a vozearia dos que o humilhavam no balneário. Faz psicoterapia há mais de dez anos.
Em que tribunal se vão sentar os seus torcionários da adolescência?
O Unabomber (que não me inspira compaixão, porque matou três pessoas, e o que a seguir se segue não é um exercício de tentar justificar, mas de tentar compreender) quando era mais novo, os rapazes dividiram a turma em dois: uns para o basquetebol, outros para o futebol. Ele não ficou em nenhum dos grupos. Quarenta anos depois, diz chorar sempre que recorda o episódio. Imaginam o que é a sensação de não nos reconhecerem sequer a existência? O que é ser pisado e repisado? Proscrito e vexado vez após vez até nos sentirmos como sendo essa a nossa condição natural?
Quem já foi até à Índia, se calhar compreende melhor estas palavras.
Invoco-o agora que me surge na memória. Encontrei-o há meses. Chorou. Ainda hoje carrega feridas que não fecharam. Ainda hoje acorda de noite sobressaltado com a vozearia dos que o humilhavam no balneário. Faz psicoterapia há mais de dez anos.
Em que tribunal se vão sentar os seus torcionários da adolescência?
O Unabomber (que não me inspira compaixão, porque matou três pessoas, e o que a seguir se segue não é um exercício de tentar justificar, mas de tentar compreender) quando era mais novo, os rapazes dividiram a turma em dois: uns para o basquetebol, outros para o futebol. Ele não ficou em nenhum dos grupos. Quarenta anos depois, diz chorar sempre que recorda o episódio. Imaginam o que é a sensação de não nos reconhecerem sequer a existência? O que é ser pisado e repisado? Proscrito e vexado vez após vez até nos sentirmos como sendo essa a nossa condição natural?
Quem já foi até à Índia, se calhar compreende melhor estas palavras.
- O Nicholas Cage não é nada bonito, mas tem qualquer coisa... Gosto muito dele.
Só uma alma feminina falaria assim. Assim como só uma alma feminina vê charme num septuagenário ou octogenário. Seja o Nicolau Breyner ou o Sean Connery. Os homens não dizem algo assim. E quando dizem mentem. (Como o Pedro Abrunhosa que diz que a mulher mais sedutora portuguesa é a Agustinha Bessa-Luís, mas depois és um compulsivo ninfoleptas de 15 anos.) É por isso que prefiro as mulheres aos homens. São mais evoluídas, mais libertas da carapaça animal.
Só uma alma feminina falaria assim. Assim como só uma alma feminina vê charme num septuagenário ou octogenário. Seja o Nicolau Breyner ou o Sean Connery. Os homens não dizem algo assim. E quando dizem mentem. (Como o Pedro Abrunhosa que diz que a mulher mais sedutora portuguesa é a Agustinha Bessa-Luís, mas depois és um compulsivo ninfoleptas de 15 anos.) É por isso que prefiro as mulheres aos homens. São mais evoluídas, mais libertas da carapaça animal.
- Quando se ama, a comida ganha outro sabor, a música é outra coisa, até a respiração é outra, e tudo é aceitável, tudo.
Velho Ancião
Velho Ancião
Terça-feira, Junho 30, 2009
Ouço Carvalho da Silva dizer que não há «efectiva liberdade sindical» em Portugal. Também eu pertenci a uma empresa em que os trabalhos sindicalizados tinham de ouvir piadas e ralhetes da administração. Sim, ali havia tratamento diferenciado e repressão para quem aderia ao sindicato. Diz Carvalho da Silva que tal fenómeno é generalizado no tecido empresarial. Preocupante...
Com a tremenda subjectividade inerente a qualquer escolha, Fernando Dacosta elege Pessoa como a figura mais marcante da primeira metade do século XX português e Agostinho da Silva da segunda metade.
Segunda-feira, Junho 29, 2009
Conceitos que inventei sem os ir buscar a lado algum, mas que pelos vistos outros antes de mais também já «inventaram»
Pormaiores
Pós-conceitos (por oposição a preconceitos)
Pós-conceitos (por oposição a preconceitos)
Num manual de Taekwondo, diz-se que para se executar um movimento como deve ser, tem de se o fazer 24 000 vezes.
Sempre que posso optar, escolho pelo Estado. Ao contrário da cultura vigente, gosto de defender a coisa pública. Tinha de escolher um banco e escolhi a Caixa, por preconceito estatal. Não sei os spreads, a taxa de juro, mas sinto-me mais confortável lá. O Estado é como um papá.
Na Idada Média, o lorde podia usar do seu droit du seigneur e dormir a primeira noite com a noiva dos seus vassalos. Este droit du seigneur era uma decorrência legal chocante, mas hoje, sem lei (e já sem a virgindade), quantas mulheres não se horizontalizam para subir na televisão, nas passerelles, nos aviões?
O horror à vulgaridade
- Só gosto que gostem de mim pelas razões certas: por não ser facilmente acessível a minha beleza e por ser diferente de tudo o resto.
Despediu-se de mim com tristeza. Vai para fora sem motivação alguma que não o dinheiro.
Quantas pessoas conheces felizes com aquilo que fazem? Semifelizes? Que só trabalham para ganhar o seu?
Quantas pessoas conheces felizes com aquilo que fazem? Semifelizes? Que só trabalham para ganhar o seu?
Dava o pior de si sempre - irritava-se sobremaneira quando alguém lhe vislumbrava uma virtude - de forma que quando o rejeitassem, ficasse na dúvida se tal teria acontecido dando o melhor de si.
não escrevia com maiúsculas porque sentia que era considerar umas palavras mais importantes do que outras. abominava a ideia de umas letras maiores oprimirem outras mais pequeninas.
As mulheres dão folhas, recebem
um orvalho inocente.
Depois sua boca abre-se.
Verão, outono, a onda dolorosa e ardente
das semanas,
passam por cima. As mulheres cantam
na sua alegria terrena.
Que coisa verdadeira cantam?
Elas cantam.
São fechadas e doces, mudam
de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,
os dias rutilantes, a graça.
[...]
as mulheres tornam impura e magnífica
nossa límpida, estéril
vida masculina.
HH
um orvalho inocente.
Depois sua boca abre-se.
Verão, outono, a onda dolorosa e ardente
das semanas,
passam por cima. As mulheres cantam
na sua alegria terrena.
Que coisa verdadeira cantam?
Elas cantam.
São fechadas e doces, mudam
de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,
os dias rutilantes, a graça.
[...]
as mulheres tornam impura e magnífica
nossa límpida, estéril
vida masculina.
HH
Domingo, Junho 28, 2009
Imagine-se dois seres completamente apaixonados um pelo outro (ele sim, ela nem por isso, mas para a história imagine-se que ambos).
Ela diz:
- Eu nunca daria o passo de beijar alguém. Só se tivesse 100% de certeza que ele queria. E mesmo assim, teria de ter o clima em que sabia que ele não teria hipótese de dizer não. Era bueda mau se quisesse beijar alguém e ser rejeitada.
Ele diz:
- Não teria coragem de a beijar. Tem de ser ela. Mas eu tenho de a beijar.
Imagine-se dois seres perpetuamente apaixonados e sem se moverem um mílimetro, ambos esperando um pelo outro. Como nascerá o beijo?
Ela diz:
- Eu nunca daria o passo de beijar alguém. Só se tivesse 100% de certeza que ele queria. E mesmo assim, teria de ter o clima em que sabia que ele não teria hipótese de dizer não. Era bueda mau se quisesse beijar alguém e ser rejeitada.
Ele diz:
- Não teria coragem de a beijar. Tem de ser ela. Mas eu tenho de a beijar.
Imagine-se dois seres perpetuamente apaixonados e sem se moverem um mílimetro, ambos esperando um pelo outro. Como nascerá o beijo?
Não há um livro que reproduza a maneira como as pessoas realmente falam. Os discursos directos são sempre bem construídos e lineares. Mas as pessoas, quando falam, gaguejam, deixam frases incompletas, emitem murmúrios, recuam, pulam. Que manie de organizar, esquematizar e racionalizar o ser humano - ele é a coisa mais vasta, informe, multifacetada e ilógica que existe.
O Vasco de Graça Moura conta que um dia disse a um amigo:
- Não há discursos das personagens dos livros que me soem verdadeiros.
- Há. Os do Hemingway.
Decidiram pegar em livros do Hemingway e lerem alternadamente as falas.
Ambos exclamaram:
- Não, isto é uma imposturice! Uma artificialidade. Ninguém fala assim.
O Vasco de Graça Moura conta que um dia disse a um amigo:
- Não há discursos das personagens dos livros que me soem verdadeiros.
- Há. Os do Hemingway.
Decidiram pegar em livros do Hemingway e lerem alternadamente as falas.
Ambos exclamaram:
- Não, isto é uma imposturice! Uma artificialidade. Ninguém fala assim.
Falar do meu livro num minuto? Então para que estive a escrevê-lo durante dois anos?
António Lobo Antunes
António Lobo Antunes
- Nunca podemos ter a experiência da morte em vida. Mesmo quando sonho, muitas vezes imagino que morro, e até já vi o meu funeral, as pessoas a conversarem sobre mim, a chorarem, os lenços, tudo detalhado e nítido, mas ainda assim, mesmo eu a ver-me no caixão é sempre algo visto de fora. Acabo por ser um espectador daquilo tudo. Um observador externo da minha morte. É curioso que mesmo as pessoas que acreditam no Céu, ou na vida depois da morte, e que inclusivamente essa vida Lá é melhor; mesmo essas resistem a morrer. Porquê? É a nossa carapaça animal que reage, que instintivamente se eriça e diz: não quero morrer. Sempre. A carapaça animal está sempre lá, por mais certa e por mais bela que seja a vida depois da morte na nossa cabecinha.
Velho Ancião
Velho Ancião
O artista megalómano pensa:
- Nunca a Arte reflectiu os sonhos como eles são. Talvez que a Pintura tenha sido, de todas as artes, aquela que se aproximou mais, ainda assim, da matéria dos sonhos... Os sonhos - curioso, pensá-lo - nunca foram retratados na sua essência. Eles são caóticos, fragmentados, ilógicos, saltitantes, disconexos. Mesmo pensamento, o pensamento humano que na Literatura, por exemplo, surge linear e sem falhas, racional e sequencial... que disparate! O pensamento «pensa» e «sente» ao mesmo tempo tanta coisa... Salta de z para f e de g para c com cedilha, mas nos livros é sempre a, b, a + b = a + b. Hei-de reflectir na Arte o sonho e o pensamento, mais aproximadamente do que eles são.
- Nunca a Arte reflectiu os sonhos como eles são. Talvez que a Pintura tenha sido, de todas as artes, aquela que se aproximou mais, ainda assim, da matéria dos sonhos... Os sonhos - curioso, pensá-lo - nunca foram retratados na sua essência. Eles são caóticos, fragmentados, ilógicos, saltitantes, disconexos. Mesmo pensamento, o pensamento humano que na Literatura, por exemplo, surge linear e sem falhas, racional e sequencial... que disparate! O pensamento «pensa» e «sente» ao mesmo tempo tanta coisa... Salta de z para f e de g para c com cedilha, mas nos livros é sempre a, b, a + b = a + b. Hei-de reflectir na Arte o sonho e o pensamento, mais aproximadamente do que eles são.
Sábado, Junho 27, 2009
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há! Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "Tá! Tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há! Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "Tá! Tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso
Pobre de mim! Oh vida! Os problemas com que me defronto,
Os cortejos sem fim dos incrédulos, as cidades cheias de loucos,
As censuras que faço sempre a mim próprio (pois quem é mais louco do que eu, e quem é mais incrédulo?),
Os olhos que em vão imploram a luz, os objectivos vis, a luta sempre renovada,
Os miseráveis resultado de todo o sistema, as sórdidas multidões que vejo arrastarem-se à minha volta,
Os anos vazios e inúteis dos outros, eu que a eles estou abraçado,
A questão, pobre de mim! com que, tão triste, me defronto – Para
que serve tudo isto, pobre de mim, oh vida?
Resposta:
Serve para que estejas aqui – a vida e a identidade existem,
O espectáculo intenso prossegue e tu podes contribuir com o teu verso.
Walt Whitman
Os cortejos sem fim dos incrédulos, as cidades cheias de loucos,
As censuras que faço sempre a mim próprio (pois quem é mais louco do que eu, e quem é mais incrédulo?),
Os olhos que em vão imploram a luz, os objectivos vis, a luta sempre renovada,
Os miseráveis resultado de todo o sistema, as sórdidas multidões que vejo arrastarem-se à minha volta,
Os anos vazios e inúteis dos outros, eu que a eles estou abraçado,
A questão, pobre de mim! com que, tão triste, me defronto – Para
que serve tudo isto, pobre de mim, oh vida?
Resposta:
Serve para que estejas aqui – a vida e a identidade existem,
O espectáculo intenso prossegue e tu podes contribuir com o teu verso.
Walt Whitman
I never felt like this with anyone before
You only have to smile and I'm dizzy
You make the world go round
A thousand times an hour
Just touch my head
And send me spinning
I never felt like this with anyone before
You show me colours and I'm crying
You hold my eyes in yours
And open up the world
I can't believe all this
I want to keep this feeling
Deep inside of me
I want you always in my heart
You are everything
The Cure
You only have to smile and I'm dizzy
You make the world go round
A thousand times an hour
Just touch my head
And send me spinning
I never felt like this with anyone before
You show me colours and I'm crying
You hold my eyes in yours
And open up the world
I can't believe all this
I want to keep this feeling
Deep inside of me
I want you always in my heart
You are everything
The Cure
Survivor
No filme, um homem agarrava-se à corda e outros tentavam salvá-lo puxando-o. Um outro agarrava-se ao seu pé. Só conseguia ser salvo se primeiro o que segurava a corda fosse salvo. A corda subia, mas a certa altura ia cedendo... Dos homens que içavam a corda, a certa altura ouve-se:
- Ou te libertas do que tens à perna, ou morres. Ou morrem os dois ou só morres tu.
Ele desembaraça-se com pontapés do outro que implora:
- Não me deixes morrer!
Reflexões:
a) Há situações-limite que nos permitem conhecer facetas nossas que não imaginamos (nem vale a pena especular como seria);
b) É apenas racionalidade dizer que entre morrerem duas ou uma, mais vale morrer uma. Continua a ser racionalidade matar uma para salvar a outra. Buda, num dos seus sermões, diz que não se deve matar, mas alerta para o problema da rigidez das regras: se um condutor de um barco que leva 500 pessoas quiser afogá-las todas, justifica-se matá-lo, e não sacrificar 499 pessoas.
C) Esperança é, como alguém escreveu, ter o filho morto nos braços e continuar a chamar por ele.
- Ou te libertas do que tens à perna, ou morres. Ou morrem os dois ou só morres tu.
Ele desembaraça-se com pontapés do outro que implora:
- Não me deixes morrer!
Reflexões:
a) Há situações-limite que nos permitem conhecer facetas nossas que não imaginamos (nem vale a pena especular como seria);
b) É apenas racionalidade dizer que entre morrerem duas ou uma, mais vale morrer uma. Continua a ser racionalidade matar uma para salvar a outra. Buda, num dos seus sermões, diz que não se deve matar, mas alerta para o problema da rigidez das regras: se um condutor de um barco que leva 500 pessoas quiser afogá-las todas, justifica-se matá-lo, e não sacrificar 499 pessoas.
C) Esperança é, como alguém escreveu, ter o filho morto nos braços e continuar a chamar por ele.
Remember the first time I told you I love you -
It was raining hard and you never heard -
You sneezed! and I had to say it over
"I said I love you" I said... you didn't say a word
Just held your hands to my shining eyes
And I watched as the rain ran through your fingers
Held your hands to my shining eyes and smiled as you kissed me...
"if you die" you said "so do i" you said...
And it starts the day you make the sign
"tell me I'm forever yours and you're forever mine
Forever mine... "
"if you die" you said "so do i" you said...
And it starts the day you cross that line
"swear I will always be yours and you'll always be mine
You'll always be mine
Always be mine... "
Remember the last time I told you I love you -
It was warm and safe in our perfect world -
You yawned and I had to say it over
"I said I love you" I said... you didn't say a word
Just held your hands to your shining eyes
And I watched as the tears ran through your fingers
Held your hands to your shining eyes and cried...
"if you die" you said "so do i" you said...
But it ends the day you see how it is
There is no always forever... just this...
Just this...
"if you die" you said "so do i" you said
But it ends the day you understand
There is no if... just and
There is no if... just and
There is no if...
Sexta-feira, Junho 26, 2009
Programas da 2
- Na poesia da Sophia, as palavras parece que foram lavadas, parece que brilham, e são as mesmas palavras simples que usamos no dia-a-dia, mas que quando as pomos na boca parece que ficam limpas, que lhes passaram um pano por cima.
Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones a tua ânsia de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias podem, sim, mudar o mundo.
Porque passe o que passar, a nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas da nossa própria história.
Ainda que o vento sopre em sentido contrário, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode o homem ser livre.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, nem fujas.
Valoriza a beleza das coisas simples, pode-se fazer poesia bela sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes as tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida num inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda em diante.
Procura vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprende com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida passe sem teres vivido...
Walt Whitman
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones a tua ânsia de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias podem, sim, mudar o mundo.
Porque passe o que passar, a nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas da nossa própria história.
Ainda que o vento sopre em sentido contrário, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode o homem ser livre.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, nem fujas.
Valoriza a beleza das coisas simples, pode-se fazer poesia bela sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes as tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida num inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda em diante.
Procura vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprende com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida passe sem teres vivido...
Walt Whitman
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco...
Mário Cesariny
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco...
Mário Cesariny
- Vós não imaginaides o que era a riqueza interior, a sabedoria das pessoas analfabetas da minha aldeia. Um tesouro valioso que as estatísticas não mede. Há uma solidão tremenda nos meios urbanos. Com muito menos do que hoje, elas eram mais felizes. Não havia cá prosac´s ou xanax´s... A solidariedade era um valor. Alguém que integrasse uma comunidade e precisasse de um curativo, de ovos ou salada tinha em qualquer pessoa da aldeia um amigo a qualquer hora do dia! Onde há isso hoje? Podem morrer sob os nossos pés na berma da estrada que a maior parte de nós não se agacha.
Quinta-feira, Junho 25, 2009
Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta
do gosto, o entusiasmo do mundo.
Descobrimos corpos de gente que se protege e sorve, e o silêncio
admirável das fontes –
pensamentos nas pedras de alguma coisa celeste
como fogo exemplar.
HH
do gosto, o entusiasmo do mundo.
Descobrimos corpos de gente que se protege e sorve, e o silêncio
admirável das fontes –
pensamentos nas pedras de alguma coisa celeste
como fogo exemplar.
HH
.... vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito
esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça
ergue-te e regressa
para olharmos a geada dos astros deslizar nas vidraças
e os pássaros debicam o outono no sumo das amoras....
.... iremos pelos campos
à procura do silente lume das cassiopeias...
Al Berto
esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça
ergue-te e regressa
para olharmos a geada dos astros deslizar nas vidraças
e os pássaros debicam o outono no sumo das amoras....
.... iremos pelos campos
à procura do silente lume das cassiopeias...
Al Berto
Quando se ganha 18 euros por minuto (e há quem ganhe incomensuravelmente mais do que isso, mesmo na área do desporto), há uma obrigação moral de dar esse dinheiro.
Peter Singer diz que passarmos na estrada e vermos alguém a morrer e não pararmos para as levar aos hospital é um acto eticamente tão reprovável como termos uma grande fortuna e não impedirmos que pessoas morram de fome.
Peter Singer diz que passarmos na estrada e vermos alguém a morrer e não pararmos para as levar aos hospital é um acto eticamente tão reprovável como termos uma grande fortuna e não impedirmos que pessoas morram de fome.
Quarta-feira, Junho 24, 2009
- Questiono-me a mim, e a vocês, jovens, se este novo mundo da Internet e das novas tecnologias se aumentou, por um lado, o acesso à informação, não degradou por outro a mesma. A enciclopédia, por exemplo, hoje é dispensada porque «está tudo na net». Bom, quantos erros grosseiros não se encontram na wikipédia! Basta analisar a facilidade com que qualquer um edita um capítulo na wikipédia. Qualquer pessoa lá mete o que quiser. Deixo-vos a interrogação: será que este maior computador que temos [aponta para a cabeça] a que os gregos dedicaram tanto atenção e estudo, será que ele está a ser menos valorizado? Será que o espírito já não tem tanto valor?
Tu
Inumerável e Anjo
Ofereço-te também aquele núcleo de mim mesmo que salvei
- o íntimo coração que não se revela em palavras,
não trafica com sonhos
e que o tempo, a alegria
e as adversidades não conseguem tocar.
Jorge Luis Borges
Inumerável e Anjo
Ofereço-te também aquele núcleo de mim mesmo que salvei
- o íntimo coração que não se revela em palavras,
não trafica com sonhos
e que o tempo, a alegria
e as adversidades não conseguem tocar.
Jorge Luis Borges
Terça-feira, Junho 23, 2009
Quando soube ao fim do dia que o meu nome fora aplaudido no Capitólio, mesmo assim nessa noite não fui feliz,
E quando me embriaguei ou quando se realizaram os meus planos, nem assim fui feliz,
Porém, no dia em que me levantei cedo, de perfeita saúde, repousado, cantando e aspirando o ar fresco de outono,
Quando, a oeste, vi a lua cheia empalidecer e perder-se na luz da manhã,
Quando, só, errei pela praia nu e mergulhei no mar e, rindo ao sentir as águas frias, vi o sol subir,
E quando pensei que o meu querido amigo, meu amante, já vinha a caminho, então fui feliz,
Então era mais leve o ar que respirava, melhor o que comia, e esse belo dia acabou bem,
E o dia seguinte chegou com a mesma alegria e depois, no outro, ao entardecer, veio o meu amigo,
E nessa noite, quando tudo estava em silêncio, ouvi as águas invadindo lentamente a praia,
Ouvi o murmúrio das ondas e da areia como se quisessem felicitar-me,
Porque aquele a quem mais amo dormia a meu lado sob a mesma manta na noite fresca,
Na quietude daquela lua de outono o seu rosto inclinava-se para mim,
E o seu braço repousava levemente sobre o meu peito - nessa noite fui feliz.
Walt Whitman
E quando me embriaguei ou quando se realizaram os meus planos, nem assim fui feliz,
Porém, no dia em que me levantei cedo, de perfeita saúde, repousado, cantando e aspirando o ar fresco de outono,
Quando, a oeste, vi a lua cheia empalidecer e perder-se na luz da manhã,
Quando, só, errei pela praia nu e mergulhei no mar e, rindo ao sentir as águas frias, vi o sol subir,
E quando pensei que o meu querido amigo, meu amante, já vinha a caminho, então fui feliz,
Então era mais leve o ar que respirava, melhor o que comia, e esse belo dia acabou bem,
E o dia seguinte chegou com a mesma alegria e depois, no outro, ao entardecer, veio o meu amigo,
E nessa noite, quando tudo estava em silêncio, ouvi as águas invadindo lentamente a praia,
Ouvi o murmúrio das ondas e da areia como se quisessem felicitar-me,
Porque aquele a quem mais amo dormia a meu lado sob a mesma manta na noite fresca,
Na quietude daquela lua de outono o seu rosto inclinava-se para mim,
E o seu braço repousava levemente sobre o meu peito - nessa noite fui feliz.
Walt Whitman
Two roads diverged in a wood, and I
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference
Robert Frost
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference
Robert Frost
Pensamentos de amor, suco de amor, odor de amor, docilidade de amor,
trepadeiras de amor e ascenção da seiva,
Braços e mãos de amor, lábios e mãos de amor, polegar fálico de amor, seios de
amor, ventres comprimidos e unidos com amor,
Terra de casto amor, vida que é somente vida depois do amor,
O corpo do meu amor, o corpo da mulher que amo, o corpo do homem,
o corpo da terra,
As amenas brisas da manhã que sopram de sudoeste,
(...)
a humidade dos bosques durante as horas da manhã,
Duas pessoas adormecidas que à noite, ficam juntas, uma com o braço
atravessado e abaixo da cintura da outra,
O cheiro das maçãs
(...)
Walt Whitman
trepadeiras de amor e ascenção da seiva,
Braços e mãos de amor, lábios e mãos de amor, polegar fálico de amor, seios de
amor, ventres comprimidos e unidos com amor,
Terra de casto amor, vida que é somente vida depois do amor,
O corpo do meu amor, o corpo da mulher que amo, o corpo do homem,
o corpo da terra,
As amenas brisas da manhã que sopram de sudoeste,
(...)
a humidade dos bosques durante as horas da manhã,
Duas pessoas adormecidas que à noite, ficam juntas, uma com o braço
atravessado e abaixo da cintura da outra,
O cheiro das maçãs
(...)
Walt Whitman
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